Aventuras Maternas

Não quero compartilhar!

Imagem: Internet

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“Se lemos uma notícia sobre um homem que foi roubado, a quem assassinaram ou que morreu por acidente, em uma casa queimada, ou em um naufrágio, ou a explosão de um barco a vapor, ou sobre uma vaca atropelada pelo Trem do Oeste, ou sobre uma praga de lagostas em pleno inverno, já não é necessário ler outra nunca mais. Como um basta. Para que precisamos de mil exemplos?”
Reli essa citação de Henry David Thoureau no livro “A Terapeuta”, que trata sobre ansiedade e parei para pensar nos sintomas que tenho percebido em mim e nas mães que me cercam.

Nas últimas semanas, fomos inundadas por notícias tristes e que deixaram qualquer mãe que leu com o coração na mão: uma filha que tentou matar a mãe por envenenamento, porque ela a deixou de castigo; a campanha americana que alerta para o risco de enforcamento com as cordas das persianas; a senhora que impediu um carrinho de bebê de entrar no elevador; o grupo de jovens que viajava feliz para fazer intercâmbio no vôo que nunca chegará ao destino na Alemanha; alimentos que parecem saudáveis, como as frutas, mas na verdade têm alto teor de açúcar e são cancerígenos – tanto quanto os industrializados -; e até assaltantes atacando o reduto das mães que querem alguns minutos para se cuidarem, os salões de beleza. Além, é claro, de dezenas de histórias que chegam a todo momento sobre pedofilia.

Sim, tudo isso, tem o objetivo de informar, de alertar, de mostrar os perigos urbanos, os medos que a nossa sociedade é obrigada a sentir o tempo todo e as loucuras absurdas que acontecem mundo afora a todo momento. Mas os sintomas que conquistamos com isso tudo é palpitação, ranger de dentes, falta de ar, pânico e uma histeria coletiva sem precedentes, que me faz pensar que vivemos num mundo onde o terrorismo cibernético vigora.

Somos todos um pouco aterrorizantes e curtimos experienciar o caos. Tripudiamos da desgraça alheia, compartilhando milhares de vezes o que acontece de pior e temos crises de ansiedade cada vez mais inexplicáveis nessa busca desenfreada por informação e regulamentação para ser uma mãe precavida, que sabe evitar riscos e protege seu filho numa redoma, que na realidade, infelizmente, de nada funciona.

Basta estar no lugar errado, na hora errada. Nada vai mudar isso! Se o segredo estivesse em compartilhar para se prevenir, poderíamos desistir da vida real e virarmos robôs, mas aí perderíamos nosso bem mais precioso: a vida por ela mesma.

Como diria o autor: já vi acidentes terríveis com crianças, filhos matando pais, já li e reli milhares de manuais de segurança doméstica. Agora, prefiro me exilar das leituras sobre a vida real e viver a vida real de fato, com os olhos bem abertos, mas sem neuras que travem as minhas pernas, nem muito menos as do meu filho.

Claro que não quero me alienar de tudo, mas há momentos em que é preciso se dar um basta. Respirar é preciso!

                              

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Priscila Correia

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