Aventuras Maternas

Mãe: uma “ponte de comunicação” para crianças com TEA

beth Moreno

“A Isabella hoje tem 13 anos. Aos 10 meses, começamos perceber algo diferente. Diferentemente de seu irmão mais velho, que com a mesma idade já tinha uma comunicação, ela sequer falava “mamãe” ou “papai”. Sua desconexão com as pessoas ficou mais evidente depois que ela completou um ano, a ponto de seu pediatra perceber e a encaminhar para um fonoaudiólogo, que indicou para um neuropediatra, que, por fim, diagnosticou como autismo.

Minha reação não foi diferente de milhares de mães. Fiquei arrasada. Foi uma sensação de perda, pois, até então, eu tinha uma filha “normal” e receber um diagnóstico sem cura é algo que nos deixa sem chão. O inconformismo foi tanto que procurei outros dois profissionais na esperança de receber uma resposta diferente.

Nessa fase, a desinformação fomenta ainda mais a dúvida. Percebemos claramente o despreparo de médicos, terapeutas e educadores em lidar com o assunto. Sabem que existe autismo e pronto, mas pouco sabem falar o que será dali por diante.

Comecei a me recompor quando Isabella já estava completando dois anos e percebi que sofrer e não aceitar só iria prejudicá-la ainda mais, pois se perde tempo, fator primordial no prognóstico. Quanto mais cedo o tratamento, melhores serão os resultados. Encontrei um lugar especializado no assunto, onde oferecia terapias e atendimento médico. Uma ONG idealizada pelo Dr. Vanderlei Domingues. Lá, além do suporte para as crianças, eu também pude contar com apoio psicológico, algo que ajuda muito pais e familiares do paciente.

É difícil citar “conquistas” numa evolução lenta, mas tem algo que eu me orgulho muito da Isabella, que é a alfabetização, algo que eu realmente achei que seria impossível para ela, que tem uma grande dificuldade em se comunicar. Sua cognitividade melhorou muito. É muito difícil enxergar evolução em quem não se comunica, mas aprendi a me comunicar com ela da minha maneira, e talvez a grande conquista até hoje foi entender como funciona sua cabeça. Isso faz com que eu a ajude muito mais.

Aprendi que mesmo não se comunicando – ela quase não verbaliza -, entende tudo que falamos. E ofertar informações mesmo sem ter um feedback é enriquecedor para ela.

Sobre o futuro, espero que ela tenha o máximo de independência e, quem sabe, possa até exercer uma profissão. São poucos que chegam nesse estágio, mas acredito muito no potencial dela. Hoje, ela frequenta apenas escola terapêutica, pratica natação e canoagem e pretendo agregar terapias avulsas, como fonoterapia e terapia ocupacional, que há dois anos está interrompida por causa do fechamento da ONG que ela frequentava.

O que eu digo sempre para as mães é: conversem com seu filho(a), olhe nos olhos e deixe que perceba que existe uma ponte de comunicação e afeto. Oferte histórias, atenção, mesmo que pareça que não estão interessados. E, acima de tudo, mostre que você é imensamente feliz por tê-lo(a).”

Beth Moreno, mãe de Isabella, de 13 anos.

 

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Priscila Correia

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