Aventuras Maternas

Caminhando por um futuro realmente inclusivo

CaminhaDown de 2017

Nos últimos anos, muito tem se falado sobre inclusão social, especialmente de pessoas com Síndrome de Down. De fato, as coisas mudaram, mas o cenário ainda está longe do ideal. Sim, há muito preconceito. E é por isso que eventos como o CaminhaDown, que vai acontecer no próximo dia 18 de março, em Ipanema, são tão importantes para mudar essa realidade. O CaminhaDown é um encontro tradicional de celebração do Dia Internacional da Síndrome de Down, que acontece anualmente no dia 21 de março. A data escolhida faz uma alusão à trissomia do cromossomo 21, que caracteriza a Síndrome de Down.

Realizado em várias cidades do Brasil, o CaminhaDown busca dar mais visibilidade e qualidade de vida para as pessoas com Síndrome de Down. No Rio, o grupo que organizou a primeira edição da caminhada foi o RJDown, que, até o ano passado, seguiu responsável pela realização.

Laís e Camila

Na edição deste ano, quem tomou a dianteira na organização foi o AcolheDown, fundado por um grupo de pais, como Laís Silveira Costa e Cláudio Blanco, pais de Camila, de 4 anos, que tem Síndrome de Down. “A nossa ideia é que seja um evento divertido, bonito, colorido, cheio de atividades legais para as crianças e as famílias; diversificado e aberto à participação de todos! Apesar do nome, o evento não se resume à caminhada. Vamos proporcionar um dia repleto de atividades divertidas. E para toda a população, não apenas às famílias que tenham integrantes com SD”, conta Laís.

Além do AcolheDown, várias Instituições e representantes da sociedade civil estão juntos e engajadas na organização do evento, como o Ministério Público, a Polícia Militar, a Prefeitura do Rio de Janeiro, a OAB, o Movimento Down, o RJDown, o Papo de Pracinha, o Bloco Me Esquece, o Aprendo Sim, o Crimap, a Puri, a Reserva Mini, a White Martins, o grupo Pernaltas, a Estácio de Sá, o Mudando a Narrativa no Texto, as Mulheres Parceiras, e a Doce Colherada. “Não podemos esquecer das pessoas que estão doando sua expertise, tempo ou demais recursos para apoiar a causa”, comenta Laís. “Temos também uma novidade maravilhosa, e, diria, a mais importante de todas: nossa organização este ano conta com a participação de autodefensores, adultos com SD que estão organizando a celebração desta data que essencialmente diz respeito a eles, como Breno Viola e Fernanda Honorato”, complementa.

A caminhada em si, que sempre acontece em um domingo próximo ao dia 21 de março, vai começar entre o final da manhã e o início da tarde, ao som do Me Esquece, bloco de samba tradicional do carnaval de rua carioca. Mas o local terá muito mais em sua programação. A partir das 9h, quem estiver no posto 8, vai poder participar da contação de histórias com o Mudando a Narrativa no Texto; ver apresentações de dança do ventre, samba, dança cigana e judô – este último, inclusive, com Flávio Canto -; curtir a interação lúdica do Papo de Pracinha com atividades de bolhas de sabão de mil tamanhos e pintura coletiva de faixa para as crianças; além de outras atrações, como pintura facial, pernaltas, estandartes, roda de samba, a Banda da PM, teatro, museu e uma viatura para as crianças entrarem.

Gabriel e Renata.

O encontro tem a finalidade de avançar nos processos de mudança social necessários para a inclusão das pessoas com SD, para que todos parem de percebê-los como diferentes. Afinal, a sociedade é diversificada, e esta diversidade precisa ser “normalizada”. Mas não há avanços? Sim, há, mas, embora constantes, os passos têm sido lentos. Há 20 anos, pessoas com Síndrome de Down eram quase escondidas dentro de casa, e poucos pais compravam a “briga” de matriculá-los em uma escola regular, por exemplo. Desde 2015, existe a Lei Brasileira da Inclusão, que garante essa matrícula. Porém, as escolas ainda não sabem ensinar pessoas com deficiência intelectual. Renata Dourado, mãe de Gabriel, de 5 anos, comenta que, desde 2017, ele está em uma escola regular que realmente o recebeu bem. “Meu filho passou por outras escolas até chegar na que está hoje. Embora a maioria se declare a favor da inclusão, na prática, não é assim”, pontua Renata.

Laís lembra, ainda, que pessoas com deficiência seguem quase invisíveis na sociedade. “O fato de a sociedade permanecer hermética em relação aos nossos filhos e o pressuposto de que eles não vão se desenvolver é uma característica persistente e cruel. Este é um desafio, assim como o é a dificuldade de acesso às terapias e a um sistema educacional de qualidade; desafio, este, que afeta desproporcionalmente justamente as famílias mais vulneráveis socialmente. Além disso, a relação com a rede de saúde, em especial nos primeiros anos, acaba sendo outro grande problema; assim como a dificuldade de obter informação. Já na fase adulta, o preconceito e a decorrente dificuldade de socialização, em conjunto com a falta de oportunidades de trabalho, são mais faces desta realidade que precisa mudar. Ou seja, ainda temos muito trabalho pela frente”, complementa. “Não queremos que as pessoas sintam um misto de pena e enaltecimento de pais que têm um filho com SD. Queremos que elas encarem os sindrômicos como iguais, porque é o que todos somos. Alguns terão maior ou menor dificuldade, assim como acontece com quem não tem Síndrome de Down”, diz. E finaliza: “Um indivíduo com SD representa apenas algo novo, uma variação em relação àquilo que você considera o normal. Mas, na realidade, somos todos iguais, pessoas com desafios, habilidades diversas e que procuram seu lugar na sociedade”.

Serviço:

CaminhaDown 2018

18/03/2018, a partir das 9h

Praia de Ipanema, posto 8

Gratuito

https://www.facebook.com/caminhadown/

https://www.facebook.com/acolhedown/

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Priscila Correia

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