Aventuras Maternas

Sobre mães de cachorros

Crédito: ND Online

Por Alessandra Ceroy

Vamos falar sobre empatia. E sobre mães. E sobre mães de cachorros.

Ontem, fui levar Magrela e Gonçalo ao veterinário. Gonçalo com problemas nos olhos para ser atendido pela oftalmo e Magrela com um nódulo que voltou para o cirurgião dela olhar.

Cheguei lá daquele jeito que quem tem cachorro sabe. Toda torta carregando os dois, que puxam como um trator. Para quem não tem animais, talvez seja difícil explicar. Mas é quase como você levar, sozinha, duas crianças, naquela fase que não param quietas (terrible two), a outro lugar cheio de crianças também agitadas. Mais ou menos por aí.

Quando cheguei, a sala de espera estava lotada. Vários bichinhos fofos com seus pais (ah, sim, alguns chamam de donos ou tutores). Cada um com seu temperamento etc, é claro. No caso dos meus filhos, Gonçalo fazendo escândalo, Magrela em coro.

Até que, não sei como, Magrela conseguiu sair da coleira e foi para cima de uma doguinha fofa e calminha. Foi aquela gritaria, eu segurando Gonçalo, Magrela querendo pular na bichinha, o pai dela tentando separar as duas, todos segurando seus filhos. Até que uma senhora extremamente antipática (minutos antes, eu, segurando os dois no fim da sala e suando em bicas, olhei para ela e perguntei se poderia me dar um copo de água, já que o bebedouro estava ao seu lado. Ela disse que não, porque não iria sair dali. Sim, ela disse isso. E, não, ninguém mais na sala, que devia ter em torno de dez pessoas, também se ofereceu para pegar) gritou, com tom bastante grosseiro “coloque o outro aí e pegue ela”. Eu, que não sou das mais simpáticas quando sou agredida, mandei ela se meter com a vida dela e calar a boca. Coloquei Gonçalo no banheiro, peguei Magrela, pedi desculpas ao pai da cachorrinha (e ele, é preciso dizer, extremamente gentil o tempo todo) e a todos que estavam na sala pela confusão, e encarei a senhora estúpida que estava ali.

Entrei nas duas consultas, fui extremamente bem atendida por dois veterinários queridos, sai, pedi novamente desculpa a todos pela gritaria dos meus filhos, e fui embora.

Mas o que me chamou a atenção em tudo isso foi a tão falada falta de empatia entre as pessoas, especialmente entre as que dividem o mesmo tipo de situação. Ali, naquela sala de espera, todos estavam com seus filhos peludos e certamente deveriam saber que nem sempre animais que nunca se viram se dão bem de cara. E aquela mulher, ali, também mãe de um animal, estava exatamente na mesma posição que eu, ou seja, aguardando atendimento para algum tipo de tratamento. A diferença é que o filho dela era um gato e estava dentro de uma caixa. Ela não poderia pegar a água para mim, quando qualquer um perceberia que eu estava enrolada? Ela precisava gritar comigo daquela forma quando Magrela saiu da coleira? As outras pessoas não poderiam dar um sorriso, quando era visível que eu estava atrapalhada e constrangida (sim, cachorros sem educação, como os meus, constrangem como uma criança que faz pirraça na rua e todo mundo olha). Na realidade, o único acolhimento que recebi foi do pai da doguinha, que virou para mim e disse “eu também fico enrolado quando saio com os três, Acontece. Não se preocupe”.

Bem, tudo isso para dizer que, por favor, tenham mais empatia com quem precisa. As vezes, as pessoas só precisam de um sorriso e de alguém que se coloque em seu lugar. Fica a dica!

 

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Priscila Correia

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