Aventuras Maternas

Alimentação cheia de amor

Ana e Franz Hermann com a filha Olga.

Na família de Débora Rogia, a opção de tirar a carne do prato começou quando engravidou da segunda filha. Até que, na terceira gestação, por obra do trabalho – ela tem uma marca de fraldas de pano –, acabou conhecendo mais sobre a filosofia vegana e decidiu abraçar de fato esse estilo de vida. Hoje, com três meninas que têm entre 3 e 11 anos, todos são veganos em casa. Já na casa de Ana e Franz Hermann, os dois já sendo veganos há muitos anos, quando a filha Olga chegou, há 4 anos, o caminho natural foi seguir a alimentação dos pais.

As histórias de Débora e Ana têm muita similaridade com a de inúmeras famílias que aderiram a alimentação vegetariana e vegana nos últimos anos. Prova disso são os números que comprovam essa afirmação: segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência esse ano, 14% dos brasileiros é vegetariano – que não comem carne de nenhuma espécie animal, mas ainda consomem derivados. O estudo mostra que o número de vegetariano quase dobrou desde a última pesquisa, realizada em 2012. Além desses dados, a pesquisa também mostrou o interesse da população pelos alimentos veganos, aqueles que não têm nenhum componente de origem animal.

Uma informação bastante importante sobre esse tipo de dieta é que, além da associação direta com a preocupação das pessoas com o bem-estar animal, muitos se tornam veganos também pelas questões ambientais. Para quem não sabe, a agropecuária é uma das maiores causadoras de desmatamento de áreas verdes, o que acaba gerando uma ameaça a biodiversidade do planeta. Além disso, ao criar gado, muita agua é consumida e gás metano é liberado por bois e vacas, o que aumento o problema do efeito estufa. Por isso, também, a Organização Mundial da Saúde (ONU) estimula a diminuição do consumo de alimentos de origem animal.,

Mas e a saúde? Como a dieta vegana ou vegetariana atuam, especialmente nas crianças? Segundo a médica pediatra Laura Ohana, uma dieta vegetariana adequadamente planejada, inclusive a dieta vegana (vegetariana estrita) pode prover benefícios à saúde e pode ser adota em todas as fases do ciclo da vida, desde gestantes e bebês, até idosos. Entretanto, ela lembra que, para isso, é preciso ficar atento ao consumo adequado de alimentos saudáveis, ricos em nutrientes. “Isso é fundamental em qualquer padrão alimentar. No caso do vegetarianismo não é diferente. Consumir alimentos que são boas fontes de proteínas, ferro, zinco, cálcio, ômega 3 é importante”, comenta. Para ajudar nesse processo, complementa, procurar a ajuda de um profissional de saúde torna muito mais simples e segura essa escolha. E fazer exames regularmente, é claro, como qualquer criança deve fazer. Vale lembrar, ainda, que médicos e nutricionistas podem indicar as suplementações de vitaminas e minerais necessárias para a idade e para o padrão alimentar dependendo do caso.

Outro dado bastante sobre a dieta vegetariana está ligado à prevenção de diversas doenças. “As doenças que têm sua incidência reduzida pelo vegetarianismo são justamente as doenças crônicas que mais matam atualmente no mundo, como a obesidade, o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares – como o infarto -, além de diversos tipos de câncer. Entender que já podemos adotar desde a infância um padrão alimentar que promove saúde na vida adulta é muito interessante e não deve ser desestimulado pelo profissional de saúde”, completa Laura. O que Laura pontua corrobora o que aconteceu na casa de Débora, quando as filhas foram diagnosticavas com colesterol alto. “A medica, à época, havia receitado remédio. Como evitamos tomar e dar remédios, optamos por mudar a alimentação. Voltando na médica, o colesterol havia abaixado bem pouco, e ela continuou indicando medicação. Foi quando fizemos a transição para o veganismo. Em seis meses, o problema com colesterol acabou ( nas duas) e seguimos com esse estilo de vida”, complementa Débora.

Juliana Ott McGowan: “pessoas não são melhores que animais”.

Um questionamento bastante comum em famílias que optam por esse tipo de alimentação e têm crianças, muitas vezes, parte dos próprios filhos. Neste caso, ao indagarem os pais sobre comer ou não comer carne, o ideal é sempre explicar com sinceridade. “As mais velhas sabem o porquê de não comermos mais nada de origem animal, assim como temos o cuidado de não usar nas vestimentas, cosméticos etc. Desde que resolvi aderir ao veganismo, converso com elas sobre como as coisas são feitas, que não precisamos machucar nenhum animal para nos alimentar, divertir e tal. Vamos ver com a pequena, que está em fase de crescimento e socialização. No momento, ela pergunta se tem bichinho e, em caso afirmativo, não pede para comer”, explica Débora. Já Ana conta que Olga não questiona, mas pergunta se o que o amigo come é vegano no sentido de se informar se ela pode comer o que o outro está comendo. “Sentimos que o veganismo já é uma opção para ela. Esses dias, fui comprar um pão de melado (que é a alternativa vegana para pão de mel) e disse “vou pegar um pão de mel”. Na mesma hora, ela colocou o dedo em riste e disse “mamãe, o mel é das abelhas! Você não pode comer!”. Fiquei até com vergonha”, diz Ana. Há, ainda, casos em que a opção de se alimentar sem nada de origem animal parte da própria criança. Juliana Ott McGowan, hoje com 10 anos, optou por ser vegetariana quando tinha ainda 5 anos, mesmo sem ninguém da família seguindo esse estilo de vida. Apaixonada por batata frita, como quase toda criança, ela tem como costume experimentar comidas que ainda não conhece para testar o paladar, sempre influenciada pelo pai e pela madrasta, que não são vegetarianos, mas enxergam e apoiam o propósito da menina. Quando questionada sobre o motivo de ter se tornado vegetariana, Juliana é enfática: “Porque eu acho que pessoas não são melhores que animais”.

Sobre o cardápio a ser seguido pelo pequenos, a nutricionista materno infantil Alexandra Marinho lembra que, se a família já é vegana ou vegetariana, deve seguir normalmente a introdução alimentar. todos os nutrientes podem ser encontrados no mundo vegetal, inclusive a proteína. “A alimentação de um bebê ou de uma criança deve ser variada e colorida, respeitando as necessidades nutricionais para cada faixa etária, assegurando seu desenvolvimento e crescimento adequado, seja ela vegana ou não. É sempre preciso adequar nutrientes e essa adequação é bem simples nos dois mundos”, pontua. Carolina Liberato, nutricionista do CEL International School, lembra, ainda, que criança vegana desde sempre adora frutas e legumes. “Os veganos têm como fonte proteica, além das leguminosas e as oleaginosas (castanhas, amendoim, avelãs etc), que também são bastante apreciadas pelos pequenos. Os lácteos também estão entre os alimentos preferidos. Porém, hoje em dia, temos muitas opções para substituir os derivados do leite”, complementa.

E para ajudar os pais a criarem pratos diferentes para os filhos veganos, pedimos às nutricionistas que passassem receitas que certamente vão agradar adultos também.

Mousse de manga com inhame (para menores de 2 anos), por Carolina Liberato:

Ingredientes: 1 manga palmer, 1 inhame cozido

Modo de preparo: Bater os ingredientes no liquidificador até formar um creme homogêneo. Refrigerar por mais ou menos 2 horas.

Torta de banana (para maiores de 2 anos), por Carolina Liberato:

Ingredientes: 1dz de banana d’água, 400g de farinha de aveia, 200g de açúcar mascavo, canela a gosto

Modo de preparo: Fazer uma farofinha com a aveia e o açúcar e intercalar com as bananas fatiadas em um pirex, começando e terminando com as bananas. Assar em forno pré-aquecido por 20 minutos.

Papinha salgada (para bebês), por Alexandra Marinho:

Ingredientes: 1 colher de sopa de azeite extra virgem (15ml), 1 colher de sopa de cebola picada ( 10g), 2 colheres de sopa de quinoa em grãos (30g), 1 colher de sopa de ervilha fesca (12g), ½ cenoura picada (15g), 2 colheres de sopa de espinafre picado(40g), 1 colher de sopa de salsinha picada (5g)

Modo de preparo: Em uma panela, aqueça o azeite e refogue a cebola. Acrescente em seguida a ervilha, cenoura com um pouco de água e deixe cozinhar por 15 minutos. Depois acrescente a quinoa lavada e deixe cozinhar por mais 10 a 15 minutos. Logo após, acrescente o espinafre e deixe cozinhar por mais 5 minutos em fogo baixo. Ao final, desligue o forno e acrescente a salsinha. Na hora de servir para o bebê, amasse os alimentos separadamente no prato.

 

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Priscila Correia

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