Aventuras Maternas

Mães sozinhas não precisam ser solitárias

Shannon Bower Photography2Há pouco tempo, postamos a história de uma mãe que se separou ainda durante a gravidez e se viu sozinha nos primeiros meses de vida do bebê. Então ficamos pensando em como é lidar com a maternidade sozinha. Primeiras experiências sem ter alguém com quem dividir, sem ter um ombro para se confortar e se sentir na responsabilidade de ser pai e mãe ao mesmo tempo para suprir qualquer necessidade da criança.

Em contrapartida, hoje vivemos numa sociedade em que a figura do pai, nem sempre é do homem que vive junto com a esposa na mesma casa. “Na sociedade contemporânea, vivemos um momento de mudança. As famílias tradicionais como as que possuem pai, mãe e filhos , convivem com diversos outros tipos de famílias: homoparentais (formada por casais homossexuais), famílias formadas por mulheres ou homens solteiros, famílias nos quais os avós ocupam o lugar dos pais biológicos e  outros arranjos.  Precisamos, então, nos distanciar da questão relacionada apenas ao gênero masculino e feminino e pensar na questão da função, do papel. Enquanto o papel materno é o de proporcionar os cuidados, carinho e estar em sintonia com as necessidades da criança, a função paterna é promover o apoio necessário à mãe, além de introduzir a criança nos conceitos relacionados à ordem, às regras, ao que é ou não possível. A função paterna também é diminuir a intensidade da função materna, quando esta passa a ser prejudicial à criança. A ausência da figura paterna não necessariamente traz prejuízos ao desenvolvimento emocional da criança se a função paterna estiver presente em sua vida”, explicou o psicólogo Marco Aurélio Mendes, professor do Centro Universitário Celso Lisboa, em entrevista ao Aventuras Maternas.

Fomos, portanto, buscar algumas dicas e compilamos as informações em tópicos que podem ajudar uma mãe a encarar o desafio da maternidade sozinha.

1. Em primeiro lugar, é importante ter a consciência de que a mãe pode suprir as necessidades de seu filho sim. Por mais que a impressão de que o pai estar faltando sempre ronde a cabeça da mãe e dos que a cercam, a mãe é sim capaz de dar aos seus filhos o que eles precisam . “É similar a quando você perde um sentido, os outros sentidos tornam-se mais apurados”, uma mãe comparou. E faz todo sentido! Não importa se o pai não está presente!  mãe será capaz de ultrapassar essa dificuldade e fazer a criança crescer feliz.

2. Nunca pare de viver para suprir suas obrigações de “pãe”. Se deixamos de ter vida própria por conta da responsabilidade de sermos as melhores que podemos, acabamos criando uma responsabilidade enorme em nossos filhos. No futuro, “a culpa” pela nossa infelicidade acabará pesando nas costas deles. Quanto mais nos doamos, nos esquecendo de cuidar de nós mesmas, mais ficamos exaustas e incapazes de cumprir atividades simples, como brincar mais com o pequeno ou fazer atividades que precisem de energia. Lembre-se: Você é o centro de sua família e precisa estar forte para poder cuidar de todos. Não é egoísta priorizar suas próprias necessidades: fazer uma atividade física, ir ao salão de beleza, entre outros. Quanto mais feliz você estiver, melhor preparada estará para fazer seu filho feliz.

3. Não tente ser “pai” também. Como falei acima, quem nunca ouviu uma mãe se definir como “pãe”? É importante ter em mente que não há nenhuma maneira de ser um pai quando você é uma mulher. Temos outra mente, outra linguagem, outra forma de pensar e agir. Não adianta cobrarmos ações masculinas de nossa parte. Eles precisam que sejamos fortes, inteiras, honestas conosco e com eles e que tenhamos um tempo legítimo para ser presente de corpo e alma na vida deles. Nosso objetivo é diminuir a sensação de ausência, de que é preciso mais alguém para ser feliz e não fingir que temos outro papel.

Para o papel de homens na vida da criança existem tios, avôs, padrinhos, que estiveram ao lado de vocês por toda a vida e honraram seus papeis como homens diante da sociedade e serão perfeitos para suprir a ausência masculina na vida do menino ou da menina.

4. Evite comparações. Cada criança é uma criança. Cada história é uma. Não adianta querer usar fórmulas. É importante sentir o que seu filho precisa, se ele sente falta da figura paterna de fato ou se nós é que estamos transferindo algo para ele, que ele nem sente de verdade. Evite rótulos preconceituosos do tipo “Ah, pobrezinho, não tem um pai”, pois isso cria incômodos bem maiores do que o fato de ele não ter mesmo um pai. As crianças têm diferenças individuais que necessitam de um tratamento diferente às vezes. O importante é sempre estar atento e carinhoso às necessidade de seus filhos e procurar ajuda, se achar que de fato é necessário. Esqueça cobranças e convenções sociais.A resposta sobre o que ele está sentindo estará sempre na observação individual.

5. “A melhor coisa é ser sincero com a criança e falar que nem todos os casamentos duram a vida toda, que o papai e a mamãe não deram certo morando juntos. A separação dos pais hoje em dia é algo comum. Para espanto de muitos pais, algumas vezes a criança até prefere que os pais estejam separados quando estes brigam excessivamente dentro de casa. E a escola também pode ter um papel importante e deve ser procurada pelos pais caso estes observem que a criança esteja sofrendo excessivamente quando comparada à outras crianças”, comenta o psicólogo Marco Aurélio Mendes.

                              

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Priscila Correia

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