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Amamentação: Como? Onde? Por quê?

IMG_3718O assunto é sempre motivo de polêmica entre as mulheres, especialmente entre as que já são e as que não são mães. Mas até que ponto um grupo está certo e o outro não?

Falar sobre amamentação é sempre uma questão que causa debates. Afinal, independentemente da opinião, mães defendem como leoas o que pensam. Por isso, o Aventuras Maternas resolveu conversar com várias, de diferentes idades, para saber o que pensam. O resultado? Você verá a seguir.

Que a amamentação é extremamente importante para os bebês ninguém discute. Sobre o tempo que deve durar, algumas mães já consideram períodos diferentes, dependendo da opinião dos pediatras que as assistem e da sua própria rotina. Mas dentro desse assunto, um ponto fica sempre em destaque e é motivo de muita discussão: amamentar ou não amamentar em público?

Algumas são defensoras árduas de que seus filhos podem, e devem, ser alimentados onde e quando quiserem, estejam elas em seus quartos protegidas dos olhos alheios ou em vagões de metrô com centenas de pessoas reparando em um momento tão íntimo. Outras, embora acreditem que os pequenos não possam ter o horário alterado por estarem em locais públicos, pregam que discrição é fundamental, e nada como um paninho para cobrir os seios e a prole. Existe, ainda, o grupo que acredita que devam alimentar apenas em locais muito restritos, longe de qualquer estranho. 

Mas, além dessa controvérsia, a amamentação causa, também, diferentes sentimentos. Para algumas, o prazer e o elo criado com o filho está acima de tudo. Para outras, a dor somente se justifica pela saúde da criança.

Sentimentos diferentes

A economista Tatiana Fischer, de 41 anos, é mãe de Joana, com nove anos; André, com cinco; e um bebê de nove meses, o Paulo Henrique. Ela conta que amamentou seus três filhos até os 8 meses – quando voltou a trabalhar, com 5 meses, manteve a amamentação de manhã e a noite. “Foi um prazer enquanto estava de licença maternidade. A amamentação, como todos dizem e eu comprovei, ajuda nos seguintes pontos: aumenta o vínculo mãe/filho, reduz a possibilidade de doenças no bebê e auxilia muito na perda de peso da mãe. Por outro lado, a mãe fica presa em função dos horários do bebê e o cheiro de leite impera nas roupas. Para o pai, que não pode participar, é um pouco frustrante este início, mas acredito que faça parte da maternidade”, comenta.

Já Cinara Leal Nunes, administradora de 36 anos, e mãe de Maria Antônia, de seis meses, os primeiros dias foram complicados, mas depois ela tirou de letra. “Realmente é algo inexplicável. É uma ligação única, coisa que somente Deus explica. Sinto como se fosse parte de mim que se soltou do meu corpo e encaixa novamente no momento que ela está mamando. Não tem coisa melhor que ela me olhar sorrindo quando mama. O elo é tão profundo que quando o bebê está agitado, somente a mãe consegue acalmá-lo”, exemplifica. Para Cinara, apesar da dor inicial, o prazer de amamentar é tanto que ela não lembra mais das dores.

Mãe de Laura, de seis anos, a advogada Débora Pêssoa, de 40 anos, conta que a filha foi amamentada por 6 meses, período antes de voltar a trabalhar. Ao contrário do que dizem, para ela, a experiência não foi boa. “Não sentia esse prazer em amamentar que escuto algumas mães falarem. Foi um período muito sofrido, que me impus para que ela pudesse ter leite materno. Quando comecei a sentir algum desconforto, ainda no hospital, a enfermeira da amamentação me disse que eram rachaduras e me orientou mal. Na verdade, tinha o fungo do “sapinho” no bico do peito, e, por seguir a orientação dela que fez uma avaliação errada, acabei por criar um ambiente propício para a propagação do fungo.  Fui procurar ajuda no Instituto Fernandes Figueira, e somente lá consegui um diagnóstico correto e pude tratar.  Para que ela não largasse o peito, usei uma sonda bem pequena que introduzia entre o meu peito e a boquinha dela, e a outra ponta colocava num copinho onde tinha mais leite materno ou complemento de outro leite para que ela ficasse alimentada.  Com isso, consegui ir até o sexto mês”, explica Débora.

A publicitária de 37 anos Renata Figueiredo, mãe de Maria Luiza, Malu, de nove anos, conta que nunca sentiu dor. O segredo para isso? Desde que descobriu que estava grávida, esfoliou o bico dos seios. “Fiz isso todos os dias, durante o banho, e fazia até sangrar mesmo. Dói, mas isso faz a pele do bico ficar mais áspera e, quando o bebê nasce e mama, não aparecem as tais “rachaduras” que deixam tantas mulheres desesperadas de dor. Não vivi isso. E tudo graças a muita bucha”, ri. E ela vai além: “O elo que existe entre mãe e filho vai muito além da amamentação. Não criei esse vínculo com minha filha por amamentá-la. É uma experiência única alimentar outro ser humano com seu leite. E eu amamentei uma gata filhote também, na mesma época, mas isso é outra história. Ser mãe e amamentar cansa. E isso, sim, é a parte cruel da história e que ninguém te conta. Acordar todas as noites, várias vezes, por meses, estando esgotada e achar lindo dar de mamar para seu filho é algo que só as novelas e filmes prometem. É tenso. Terrível. Você quer dormir, precisa dormir e não pode. E tem que tomar diversos cuidados com o bebê que, logo após se alimentar, muito possivelmente vai precisar trocar a fralda etc. Enfim, cansa”, complementa.

A auditora interna Letícia Lucas, de 37 anos, e mãe dos meninos Thibault, de nove, e Gauthier, de cinco, conta que amamentou o mais velho por 10 meses e o menor por seis. “A minha ideia era amamentar cada um por seis meses exclusivamente, como é indicado na Alemanha, onde eu morava na época. Com Gauthier deu certo, pois assim que comecei a introduzir outros alimentos consegui trocar a amamentação por mamadeira e ele aceitou fácil. Com Thibault foi mais complicado. Ele não queria a mamadeira de jeito nenhum. Então, continuei amamentando até quando ele aceitou outro leite, aos 10 meses”, explica Letícia, que hoje mora em Luxemburgo. Sobre o elo entre mãe e filho que tanto se fala, Letícia é categórica: “Não sei se o elo é diferente entre uma mãe e seu filho dependendo se ela amamenta ou não. Acho difícil, e até injusto, afirmar isso. Nao acho que uma mãe que tenha decidido não amamentar ou não possa terá uma relação diferente. Sim, são momentos únicos, mágicos, mas outros momentos também são”, explica.

Para a jovem estudante e professora particular Natália Guimarães, de 19 anos, mãe da pequena Sofia, de apenas quatro meses, a amamentação é mais fisiológica que emocional. “É natural. Existe, sim, um vínculo que é criado, mas acredito que seja mais pelo tempo que se passa amamentando do que pelo ato em si. No início passava mais de oito horas diárias apenas amamentando e isso cria um vínculo bem forte”, exemplifica.

Local adequado

Um dos pontos em que mães – e não mães – mais divergem é sobre a questão do local correto para amamentar. Embora seja uma prática super natural – afinal, todo mundo já foi amamentado um dia -, os diferentes pensamentos sobre quem deve ou não assistir é bastante discutido.

Renata Figueiredo explica que Malu sempre mamou em qualquer lugar, público ou privado. “Eu não estava mostrando os seios para as pessoas. Estava alimentando a minha filha! E se a saúde dela sempre foi prioridade, nunca vi no fato de ter que parar no meio da rua e sentar num canteiro de plantas com meu belo e enorme peito ao vento dando de mamar, algo para me envergonhar. Pelo contrário. Sempre me orgulhei da amamentação e do quão saudável e feliz minha filha estava”, diz.

Letícia também é a favor. Ela conta que sempre amamentou em público e nunca teve problemas. “Eu tentava ser discreta, procurar um lugar mais calmo e colocar um paninho na frente, de uma forma discreta. Já ouvi pessoas dizendo que já foram criticadas por amamentar em público. Eu nunca ouvi críticas diretas. Sinceramente, não consigo entender o que tem de tão polêmico em amamentar em público. Sempre digo às minhas amigas que no Brasil ninguém se choca com mulher fruta ou miss bumbum na TV, fio dental na praia, mas se chocam com uma mãe amamentando em público”, compara.

Tatiana, que também já morou fora do Brasil, conta que é a favor da amamentação em público, mas com um certo grau de discrição. “Pode-se procurar um cantinho e colocar uma fralda por cima para que o bebê fique tranquilo”. Ela fala que quando teve o segundo filho morava no Texas, em Houston, e por lá o assunto é tabu. “Não se pode amamentar em público. No shopping tem uma sala especial para as mães. Eles vendem panos específicos para cobrir os seios/bebê. Eu fazia muito no carro para evitar olhares me recriminando”, relembra.

Do grupo a favor, Cinara faz coro e diz que nem liga e amamenta a filha em qualquer lugar. ”Estou muito bem e não vejo nada de errado. Quem estiver incomodado, que saia de perto. Não procuro me esconder de ninguém”, exemplifica.

Natália conta que até é a favor de procurar um local mais calmo por conta da própria criança, não por terceiros. “Amamentar é exaustivo, se você não estiver confortável, se torna um martírio. Fico muito feliz quando encontro um local bem próprio para amamentar, sinto a bebê mais calma. Mas se não há um local próximo, amamento em qualquer lugar. Já amamentei dentro de trem cheio, no mercado, no trabalho do meu marido. Acho a sexualizacao da amamentação uma verdadeira aberração”, complementa.

Já Vivien Bezerra de Mello, jornalista de 46 anos, e mãe de Glenda e Yasmim, de 16 e 12 anos, acha que este é um momento muito íntimo para colocar os seios pra fora sem pudores. “Acho desnecessário. Mas tem horas que o bebê abre um bocão de fome e você tem que dar o peito. Eu procurava um lugar mais reservado, mais calmo, colocava uma fraldinha na frente e amamentava. Até porque o bebê precisa de um ambiente tranquilo para mamar. Minha maior preocupação sempre foi com o bem-estar de minhas filhas. O resto sempre ficou em segundo plano”, comenta. Ela diz que o famoso “não tô nem aí para o que os outros pensam” não se aplicava a ela, preferindo sempre um lugar mais reservado onde não precisasse se expor.

Mas e as mães que ainda não tiveram seus bebês? Joana de Castro Caldeira Diaz Carrión, administradora de 33 anos, está grávida da primeira filha, que vai nascer em junho deste ano. Ela conta que pretende amamentar até que Mariana, nome da sua filha, cansar. Sobre ser a favor ou contra fazer isso em locais públicos, ela diz que quando o bebê fica com fome e não tem para onde correr, primeiro vem o bem-estar dele. “Não dá para se trancar em casa durante todo o período da amamentação. É algo tão natural, que não entendo as pessoas ficarem tão incomodadas”, pergunta-se.

É claro que um assunto tão polêmico merece mais que um questionário com respostas individuais. Afinal, cada mãe sabe o que é melhor para o seu filho e, como diria aquele velho ditado, opinião de mãe não se discute. Concorde ou não, o respeito as razoes de cada uma é fundamental e deve ser sempre preservado.

Sobre o que motivou a criação desse texto, um conselho: seja mãe e esqueça o resto. Afinal, de verdade, nada mais será como antes.

 

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Priscila Correia

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  • Amamentar é realmente uma arte… Para mim foi muito difícil o início… Minha bebê ficava com a boca cheia de sangue e as fezes escuras… Ela chorava e eu chorava junto de desespero… Tinha febre à noite por excesso de leite… Mesmo amamentando em menos de 3/3hs…. Achei q não iria conseguir e quase cheguei a ter depressão pós parto… Mas passou! Com força de vontade e o santo bico de silicone, consegui manter a amamentação e hj sou muito feliz amamentando!
    Armamento em qualquer lugar… Ando na rua igual índio com a pequena grudada no peito se for necessário. Nunca percebi um olhar reprovador, mas vários curiosos e admirados! Rsrs Hj tb consigo ajudar vários bebezinhos q necessitam do leite materno doando ao Instituto Fernandes Figueiras.
    Antes de ter filho dizia q iria só amamentar até os 6 meses pq o peito era meu e não do bebê… Hj penso em amamentar até ela quando ela quiser! Não existe aconchego mais gostoso do sei bebê mamando e nada mais prático do que alimentar seu pequeno sem precisar de um arsenal de coisas, em qualquer lugar e hora. Hoje, sou fã!
    Beijos em todas

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