Aventuras Maternas

Por menos tecnologia e um pouco mais de trabalho na hora de educar

Captura de Tela 2016-03-22 às 20.50.07A criança está dando aquele ataque de birra no restaurante e, de repente, uma solução incrível é empunhada pelos pais: o celular ou o tablet com um vídeo ou um joguinho que o pequeno adora e vai mantê-lo afastado de qualquer tentativa de bagunçar o momento de almoço de todos os presentes no local. Atire a primeira pedra a mãe que nunca apelou para a Galinha Pintadinha nessas horas?

Crio meu filho longe das tecnologias, mas confesso que já apelei sim, poucas vezes, mas já usei desse artifício. Não é fácil manter uma rotina de mãe polvo e fazer com que nossos filhos permaneçam quietos, sem dar trabalho, sem gritar ou rasgar o papel da mesa do restaurante.

Mas por que eles têm que ficar quase como que invisíveis quando estamos em público ou quando estamos fazendo atividades em casa que nos impeçam de dar atenção a eles?

Vamos pensar numa cena: nós, adultos, num bar com amigos, todos conectados ao celular e desconectados daquele tempo juntos. Ninguém fala, troca ideias ou sequer percebe o ambiente ao seu redor. Agora, imaginem a mesma cena, só que desta vez: os pais e a criança no restaurante, sem trocar nenhuma palavra, sem curtir aquele momento em família, num domingo. O pequeno no tablet, a mãe e o pai no telefone e o garçom ao lado esperando um pedido de uma família que está ali, mas ainda nem abriu o cardápio.

Foi observando cenas assim e vivenciando um momento de férias num hotel fazenda, onde todas as crianças preferiam brincar no tablet ao invés de se divertir com as recreações propostas pelo local, que decidi fazer diferente, mesmo que isso interferisse no meu trabalho ou me fizesse perder mais tempo contendo meu filho que por vezes fica em pé no restaurante enquanto dou a comida, fala mais alto ou rabisca naquele papel branco sobre a mesa, que (aliás) está ali para ser reposto mesmo.

Criança tem que ser educada e só podemos transmitir valores e explicar o que é certo ou errado se dermos espaço para elas errarem. Só gritando no restaurante é que ela saberá que aquilo não é legal, que incomoda, só ficando com a roupa e a boca suja fugindo do garfo é que ela perceberá que aquele jeito de comer torna tudo complicado e é só brincando com objetos reais que a criança trabalhará movimentos específicos de motricidade fina, como abotoar um short, dar um estalo de encaixe num quebra-cabeça, erguer castelos com blocos de montar, colocar as mãos na terra e por aí vai.

Por fim, percebi que agir dessa forma não é perder tempo. Ganho muito deixando as tecnologias de lado. E hoje, meu filho ganha também. Outro dia, ele disse que alguns amigos brincam no tablet e não escutam o que ele diz, não brincam com ele, porque estão ocupados tentando passar de fase. E que ele acha que isso não pode ser legal.

Fiquei muito feliz com essa constatação, pois acredito que crianças precisam aproveitar muitas fases, sem “pular” nenhuma rápido demais. Brincar ao ar livre, observar formigas, perceber texturas, cores, admirar novos cenários… Fizemos uma viagem que durou 6 horas no carro e passamos o tempo de viagem brincando de fantoche, contando quantos carros brancos passavam, quantas árvores, e criando jogos, como quem achava primeiro uma flor amarela no caminho.

É muito cansativo sim! O celular munido de vídeos estava na bolsa nessa viagem e está sempre lá caso seja necessário. E costuma ser quando ele vai tirar sangue ou tomar injeção, por exemplo. Acredito que há espaço para tudo. As tecnologias fazem parte da realidade deles, mas estamos criando lembranças de uma infância e nada é mais importante nesse momento do que as trocas que são possíveis apenas no mundo real.

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Priscila Correia

2 ComentáriosDeixe seu comentário

  • Faço assim também, quando estava de resguardo da minha quarta filha meu marido foi com os 3 pro restaurante, todos sentaram, comeram e depois foram brincar no parquinho do restaurante, a mesa do lado com uns 30 idosos fizeram uma fila na hora de ir embora e todos apertaram a mão do meu marido hahahá foi engraçado, resumindo, educar vale a pena.

    • Pois é. É uma coisa tão natural se pensarmos em 10 anos atrás e agora parece impossível criar crianças sem tantas tecnologias. Não critico, porque cada um tem seu método e seu estilo. Mas não só é bem possível, quanto faz bem para eles e para a nossa relação com eles, né?

      Idosos sempre fofos valorizando nossos esforços. <3

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