Aventuras Maternas

Como criar vínculos afetivos durante as aulas do ensino remoto?

Falar de vínculos afetivos no ambiente do ensino remoto ou mesmo no modelo de ensino híbrido parece desafiador para muitas escolas. Com o prolongamento da pandemia, as aulas on-line se tornaram rotina e não é incomum encontrar educadores com dificuldade para manter ou despertar o engajamento de suas turmas pela internet.

De acordo com Thauane Rocha, psicóloga e consultora pedagógica do LIV (Laboratório Inteligência de Vida), programa de educação socioemocional, presente em mais de 350 escolas em todo o Brasil, criando espaços de fala e escuta para ampliar a compreensão de si, dos outros e do mundo, é fundamental entender que o aprendizado não se dá só em sala de aula na exposição de conteúdo. Pensar conhecimento é entender que a escola é o espaço de socialização e de troca de experiências que permite o desenvolvimento dos alunos pela coletividade. Para ela, é nesse ambiente que as crianças e os adolescentes passam parte do dia e é por isso que se faz imprescindível a criação de vínculos afetivos para que essa aprendizagem aconteça em um espaço acolhedor. “Essa integração permite o desenvolvimento do senso de coletividade, da empatia, a interação com pessoas, valores e ideias diferentes, além da valorização das individualidades para se pensar no coletivo. O ambiente escolar permite a criação de vínculos afetivos entre os alunos com os que o cercam, e não só professor ou colegas, mas com toda a comunidade escolar”, afirma.

E de que forma é possível criar vínculos no ensino remoto? Para a especialista, esse momento pandêmico, que impede a interação física, dificulta pensar o desenvolvimento social que parte do contato, mas não impede de pensarmos alternativas para a interação, ainda que online, e o aproveitamento das aulas como um momento de acolhimento em meio ao isolamento. “Esse pode ser o único momento que o estudante entra em contato com outras pessoas, por isso, vale pensar nas atividades também como uma forma de integração e construção de um sentimento acolhedor ao espaço, mesmo que virtual. Propor jogos, dinâmicas, brincadeiras, participação com a câmera ligada, ou pelo chat, o uso de ferramentas digitais, realização de exposições ou feiras culturais por meio de apresentação audiovisual para que os alunos de todas as séries consigam interagir uns com os outros, tornar as aulas mais atrativas com imagens, e debates que fazem parte do cotidiano dos alunos, questioná-los para uma maior participação em aula ou até mesmo chamar o aluno para criar uma aula junto com o professor”, diz.

De acordo com a consultora pedagógica do LIV, as famílias também podem contribuir para a manutenção do vínculo nesse período de afastamento. “Antes de qualquer coisa, é preciso que tenhamos paciência e empatia com todos que estão envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, inclusive com os professores. Nós sabemos que, principalmente, as crianças do ensino infantil e fundamental anos iniciais precisam de um apoio maior na realização das atividades. Esse apoio é fundamental. Mas é importante ter em mente que os estudantes precisam se desenvolver com o professor. Por isso, incentive essa relação e permita momentos de aula sozinhos, porque eles precisam construir o conhecimento e também criar mais autonomia”, frisa.

Para Thauane, a família pode mobilizar recursos e desenvolver algumas práticas na construção ou na manutenção dos vínculos dos filhos com as escolas e os colegas, como buscar fazer atividades juntos, incentivar que liguem as câmeras para que ocorra um contato visual nas aulas, questionar algo que aconteceu ou o que o filho aprendeu no dia. Separar momentos para aproveitarem juntos um jogo, uma refeição. Conhecer os canais de comunicação com a escola, tal como participar ou solicitar encontros com a escola para falar de sentimentos, e trazer conteúdos relevantes para o dia a dia familiar, incentivar os contatos e interação constante com os colegas, seja por jogos online ou ligação de vídeo. O mais importante é que a gente tenha em mente que não é porque estamos em distanciamento físico que precisamos nos isolar.

Informações: Assessoria de Imprensa.

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Priscila Correia

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