Aventuras Maternas

Como lidar com as terríveis birras?

birra-ou-crise-dos-dois-anosNão importa o quanto você prometa para si mesma, que seu filho nunca será daqueles que se joga no chão do shopping ou daqueles que gritam ou choram querendo algo que você não pode ou não quer dar naquela hora. Invariavelmente ele vai fazer! Porque esse comportamento faz parte do ser criança.

Primeiro, porque eles não nascem sabendo o que é “não”, segundo porque eles precisam nos testar o tempo todo para entender os seus limites e terceiro porque aos dois anos, eles entram nos chamados “terrible two”, uma espécie de adolescência dos bebês e eles simplesmente tem prazer de colocar nossa paciência à prova.

Lembro como se fosse hoje da vez que o Theo fez sua primeira birra que me tirou do eixo. E nem foi tão grave assim. Eu fui comprar algo na Casa & Vídeo e tinha uma fila grande no caixa. Ele tinha 1 ano e 9 meses e estava bem até ali. Rodamos a loja toda e eu vi várias coisas entre as gôndolas, mas quando fui chamada ao caixa, ele soltou a minha mão, se deitou no chão e começou a olhar o teto. Não chorou, não gritou, não fez nada, mas não havia ser humano que fizesse com que ele se levantasse do chão. Ele adorava observar bolas em todos os lugares e havia bolas no teto e ele, simplesmente, queria olhá-las para sempre. Peguei-o no colo e sai da loja e ele ficou com cara de bravo (super contrariado) por umas duas horas.

A partir daí foram mais umas dezenas de vezes, especialmente nos últimos meses, depois que ele fez 2 anos e meio e entrou na escola. Ele que nunca foi de chorar, nem quando se machuca, deve ter visto o exemplo de outras crianças e resolveu imitar à toa. E o pior é que é canastrão (risos), porque faz uma cara de ator mexicano e faz uns gritinhos de choro imitando bebê, sabe? Aliás, isso nem é o que me incomoda mais, já que o mais chato é quando ele se faz de surdo e continua repetindo o comportamento errado, mesmo sabendo as consequências daquilo.

Não posso reclamar muito dele, já que ele é bem organizado para a pouca idade e na maior parte do tempo é muito calmo. Além disso, consegui passar bem rápido das fase de bater e de morder, que duraram apenas 1 semana cada, com ele. Mas fui sempre bem extremista e não quero mais agir assim.

Ele é muito grudado comigo e é muito preocupado em que eu esteja sempre feliz com o que ele faz. Adora elogios e procura em mim uma aprovação para tudo. Temos uma relação de troca de amor muito intensa.
Quando ele me mordeu, olhei nos olhos deles e disse que aquilo me deixou muito zangada. Ele começou a chorar na mesma hora, magoado, mas eu não cedi. Deixei -o no cantinho do pensamento por dois minutos, mesmo ele pedindo desculpas e me pedindo para voltar a ficar feliz com ele. E mesmo depois que ele saiu do pensamento, eu não fiquei logo feliz, ele precisou cortar um dobrado para eu voltar a sorrir naquele dia.

Acho que fui ao extremo, porque ele é muito pequeno e sou tudo para ele, talvez só o cantinho do pensamento pudesse ajudar a resolver, mas ele já se comunica muito bem, fala com clareza e compreende muito bem o que eu digo, tanto que a forma como agi, funcionou. Mas não quero que ele fique inseguro quanto aos meus sentimentos por ele, também, coisa que é comum acontecer nessa fase do desenvolvimento infantil.

Agora quero acabar com as manhas sem sentido, somadas à surdez seletiva. Então, fiz uma lista de dicas que podem nos ajudar a lidar com isso. Vamos lá!

Nunca ceda aos apelos da criança. Se ela está chorando, pedindo para tirá-la do pensamento ou gritando para receber sua atenção. Mantenha-se firme. Eles precisam entender que enquanto persistirem no erro, não terão nossa atenção. Meu filho tem sinusite e já sei que quando chora para sair do pensamento, eu tenho que atendê-lo para limpar o nariz que fica cheio de muco. Agora, ele já vai para o cantinho com um lencinho junto.

Dê os exemplos de como ele deve agir quando está contrariado. Se ficarmos zangados com eles e dissermos um palavrão, gritarmos ou batermos as portas, quando eles ficarem chateados também gritarão, dirão palavrões e baterão as portas. Eles são nossos reflexos.

Estabeleça um sistema de incentivos e de perdas. Sempre que eles fizerem algo bacana. Procurarem uma lixeira para colocar o lixo na rua, organizarem suas bagunças sem pedirmos ou obedecerem algum pedido nosso mais difícil, sem reclamar (ex: deitar na cama para dormir de primeira, escovar o dente sem reclamar, etc), criem um prêmio para isso. Eu criei um quadro que coloco estrelinhas toda vez que ele faz algo bem legal. Com 5 estrelinhas, ele ganha um prêmio, que pode ser um passeio, um livro, uma brincadeira ou moedas para o cofrinho dele. Ele também adora um biscoito amanteigado de laranja em forma de estrelinha, eu dou um, apenas um quando ele faz algo bem legal. Ele adora! Já quando ele faz algo feio, ele perde uma estrelinha e fica mais longe dos seus objetivos. Gosto desse método, porque ele ajuda a entender o sistema de perdas e ganhos, natural da vida e ainda ensina Matemática.

Castigos temporários também podem funcionar. Meu filho, como muitas crianças, está naquela fase em que tem que andar grudado com um carrinho ou com um herói para todo lado. Especialmente o Homem de Ferro, que dorme e acorda com ele. Quando ele passa muito do ponto, o Homem de Ferro fica de castigo também, guardado em algum lugar fora do alcance dele. Isso tem funcionado muito. Basta o brinquedo sumir para ele parar, respirar e assumir o erro. Mas não devolvo fácil. Sempre digo que vai depender do comportamento dele no resto do dia.

Fazê-lo pagar pelos estragos para valorizar as coisas. Meu filho tem um cofre desde os dois anos (vou falar disso em outro post) e adora ganhar moedas para fazê-lo ficar bem cheio. Ele, inclusive, conseguiu comprar o próprio presente de Dia das Crianças com suas moedinhas. Mas quando ele quebra ou estraga algo de propósito num momento de raiva, vou ao cofre e tiro 10 moedas para poder consertar o estrago.

Explique o que ela está sentindo. Dar nome ao que a criança está passando pode ajudá-la a se controlar. Afinal, sentimentos como raiva e mágoa são novos para eles e é preciso ensinar o significado deles. Uma conversa simples olho no olho pode ajudar e muito. Algumas vezes, ele fica chateado com algo que sai do seu domínio. Por exemplo, fome pode deixar uma criança muito irritada e vamos entrar numa briga sem solução, se não descobrirmos o verdadeiro motivo. É muito importante fazer o pequeno recobrar a calma para entendermos o motivo. Você pode falar: “Eu sei que você está zangado! Mamãe está aqui para te proteger. Me diz o que está acontecendo para eu te ajudar.

Enfim, o mais importante é não fazer uma ditadura dentro de casa. Fez bagunça, castigo! Às vezes a criança está passando por algum problema na escola, está se sentindo incompreendida por ainda não saber se colocar verbalmente, está com sono ou com fome. Cabe a nós tentar entender e aplicar o método adequado para cada situação. Espero que dê certo!

                  

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Priscila Correia

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