Aventuras Maternas

Empreendedora materna cria roupinhas para crianças cariocas

anaToda mãe sonha em ver seus filhos sempre bem vestidos e lindinhos, certo? Não é a toa que com a maternidade muitas mães se inspiram pelo rostinho de seus bebês e acabam se rendendo à agulha e linha com muita criatividade. Umas fazem apenas para seus pequenos, outras furam os dedos e desistem (rs) e outras como a Ana Carolina Castilho – mãe do Miguel, 7 anos e do Antônio, 5 anos -, se tornam empreendedoras maternas e transformam suas habilidades de antes em negócio que dá muito certo.

Foi assim que nasceu a Anacaloca Ateliê Infantil, junto com o filho mais velho de Ana, se tornando uma marca querida entre as mães cariocas que querem roupas com qualidade, design e preço bacana.

E nessa empresa a avó Maria Heloisa também empreende. As duas são as responsáveis pela peças. Ana desenha e escolhe os tecidos e Maria Heloisa faz toda a modelagem e corta. A ideia de criar a marca começou por acaso. Ana sempre trabalhou com desenvolvimento de produto infantil e, depois do nascimento de Miguel, quando ele tinha um ano, mãe e avó faziam as roupas dele. Como as pessoas elogiavam e perguntavam, e o emprego de Ana Carolina estava mudando de localização em São Paulo, veio a ideia de lançar uma marca própria. “A mudança de endereço de onde eu trabalhava deixaria inviável eu chegar a tempo no fim do dia na creche, devido a distância.”, explica.

Ana Carolina sempre foi estilista de moda infantil. Começou a carreira na Cia Hering, como estagiária, e três meses depois era estilista da marca PUC. Aprendeu muito e vivenciou experiencias maravilhosas. Três anos depois foi para a multinacional C&A Modas, onde atuou como estilista da linha própria deles, a Palomino Menina, de 4 a 10 anos. Foram três anos também. De lá passou para uma empresa menor e familiar chamada Green, onde também adquiriu mais experiência. Mas tanta dedicação e sucesso por onde passava exigia mais que as oito horas habituais de qualquer trabalhador. Ela conta que, quase sempre, o trabalho se estendia a 10, 12, 14, 16 horas. Virava a noite, o que fosse preciso para ter o resultado satisfatório que era proposto. Além disso, viajava muito pelo Brasil e exterior.

Porém, apesar de compensador profissionalmente, com o nascimento do filho essa rotina não se encaixava mais. A ideia de colocar o filho na creche já era uma decisão tomada, o que não enxergava como um problema, já que ela e os irmãos passaram pela mesma experiência quando pequenos, pois os pais sempre trabalharam fora. “Miguel foi para a creche aos quatro meses certinhos. Antes, ele foi trabalhar comigo durante 15 dias, pois não colocaram ninguém no meu lugar. Eu sempre acordei cedo e ele também . Então, aproveitamos muito os momentos juntos antes da escola e o pós escola, quando voltava do trabalho e o pegava. Porém, uma das coisas que me chateou em voltar ao trabalho com ele tão pequeno foi parar de amamentar quando ele tinha apenas quatro meses. Achava que deveria ficar pelo menos seis meses, mas na primeira semana que voltei a trabalhar meu leite secou.”, relembra.

Foi então que o destino conspirou a favor, unindo necessidade e vontade. “Tive o start de abrir meu negócio quando a empresa ia mudar de lugar. Em São Paulo, não dá para trabalhar muito longe de sua casa. Você não chega em tempo antes da escola fechar. Eu não queria colocar babá em casa, meus pais moravam em outra cidade. Eles sempre estavam com a gente nos fins de semana, mas durante a semana meu marido e eu nos desdobramos para participar e equilibrar as ações. Gostamos de estar junto aos meninos, e com a vida e profissões tão corridas, se delegasse esse contato não seria legal”, completa.

Ana conversou com a mãe e resolveram tentar fazer uma produção, já que faziam isso para Miguel. Começou participando de pequenos encontros de mães e foi crescendo, ficando conhecida em eventos do Rio de Janeiro e se tornando referência em roupa infantil. O resultado? “Uma clientela que curte ser exclusivo, que consegue enxergar o amor com que fazemos essas roupas tão queridas e infantis. Cortamos e costuramos cerca de 20 peças por semana. O Rio amou nosso produto, o aceitou de braços abertos.”, comemora.

Claro que, como todo negócio próprio, existe um certo medo da instabilidade, como não ter um valor certo de entrada todos os meses. Porém, ela acredita que o beneficio da família estar sempre unida compensa esse temor. “Estamos juntos em momento simples, mas que certamente não aconteceriam se eu trabalhasse dentro de uma empresa. Vivencio isso quando levamos as crianças a uma aula de inglês, quando conseguimos vencer barreiras indo a natação, quando aprendemos a comer algo novo, quando conversamos e choramos. Tudo é vivido mais intensamente. E não há nada que pague isso”, comenta Ana.

Os planos para expansão da marca são muitos, como toda empresa que começa a alcançar o reconhecimento. Ainda de forma tímida nesse mercado, a estilista conta que o objetivo é crescer, mas um dia de cada vez e sempre com planejamento. “Amo o que faço. No Brasil, é muito difícil ser valorizado por um trabalho autoral, e não de massa. As pessoas valorizam muito marcas norte americanas conhecidas, e não sabem a história de como foi feito e o quão destrutiva essa indústria pode ser. Fazemos o que vivemos e queremos que as pessoas usem nossas roupas com consciência e responsabilidade. Nossa missão é essa: fazer roupas com amor, com uma história, e tecidos de primeira qualidade e preço justo”, finaliza Ana Carolina.

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Priscila Correia

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