Aventuras Maternas

Dicas para criar um pequeno consumidor responsável

piggy-banksAprender a poupar, especialmente em época de crise no país, nunca é fácil. Mas é possível contar com o apoio dos pequenos nessa hora. Afinal viver um fantasia só porque eles ainda são pequenos não ajuda na economia doméstica, nem na criação de seres bem relacionados com o consumo. Agora a questão é: como ensinar os pequenos a terem essa noção do que deve ser gasto, do que deve ser guardado e de como devem lidar com o dinheiro hoje e no futuro?

Reunimos depoimentos de mães e profissionais sobre o tema. Confiram!

Depoimento Profissional

Para Julianna Antunes, jornalista, economista e consultora de sustentabilidade, o brasileiro tem uma relação muito ruim com o dinheiro. Isso tanto tem a ver com a nossa cultura, como com a baixa educação financeira. “Quando entramos em um crediário que ao final vai nos custar quatro, cinco vezes mais que o valor do bem que estamos adquirindo, é um exemplo clássico dessa relação ruim. Mostrar à criança a importância do dinheiro e como usá-lo de forma inteligente é assegurar um adulto livre de amarras, um adulto livre para um emprego que o deixe mais feliz, independentemente do salário, sem ficar refém do dinheiro.”, explica

Para começar essas “aulas” de educação financeira, não existe exatamente uma idade certa, já que vai depender mais da maturidade da criança. Mas é fundamental que os pais estimulem esse conhecimento e esse interesse nos filhos. “Lembro que quando tinha três, quatro anos, ia ao supermercado com minha mãe e ela me ensinou a ver preço, o que era mais caro, mais barato, porque ela escolhia levar o mais barato. O importante nesse conhecimento é que ele seja passado de forma natural para que a criança possa associar as finanças à sua rotina e ao seu cotidiano.”, complementa Juliana.

Para os pais que pretendem inserir seus filhos nesse mundo da economia, é bom lembrar que as informações sobre como poupar devem ser passadas a medida em que a criança vai amadurecendo. Quando os pequenos começam a transformar aquele comportamento de poupar em hábito, eles pode receber informações mais complexas. “Em um primeiro momento, a criança precisa ter a noção do valor do dinheiro, o que aquele dinheiro é capaz de comprar. Se é muito, se é pouco. Quando ela internaliza essa informação, ela pode receber novas informações. Ela pode ter a noção de mais caro, mais barato, depois ela pode começar a ter noção de poupança, e por aí vai. Tudo depende da capacidade de aprendizagem da criança.”, exemplifica Juliana. Mas um alerta: o fundamental de uma boa educação financeira vem do exemplo. Além de explicarem para que serve uma poupança e porque é importante poupar, se os pais fizerem junto com a criança uma poupança, ela vai se sentir estimulada. É muito importante que essa fase seja lúdica, para a criança não associar o ato de economizar a algo ruim ou que a vai impedir de comprar coisas que ela queira naquele momento. “Uma sugestão é os pais, junto com as crianças, criarem prazos e metas de poupança. Exemplo: durante um ano a criança vai guardar todas as moedinhas. Depois do tempo, fica combinado que ela vai usar metade do que juntou para comprar alguma coisa que queira muito. A outra metade continua guardada para ela continuar poupando e um ano depois pegar novamente a metade e comprar outra coisa que ela queira muito. Esse valor vai aumentando gradativamente e a criança vai percebendo que se ela poupar, ela vai conseguir ter coisas cada vez mais legais pelo seu mérito.”, complementa. Por outro lado, se o casal é perdulário, por mais que falem com as crianças sobre finanças, o que elas estarão vendo é o oposto e é isso que guardam. Poupar junto, fazer competição de quem poupa mais, sair juntos para comprar algo fruto da poupança que eles fizeram, deixar marcado na criança uma memória não só de como é importante, mas como é divertido poupar.

Um outro dado importante é sobre os pais que buscam economizar restringindo o lazer. Juliana explica que tudo é uma questão de equilíbrio, já que a criança precisa aprender que pode economizar em várias situações, não só no lazer. “E os pais podem começar a fazer essa associação com a criança, por exemplo, mostrando para os filhos que quando eles deixam comida no prato, aquela comida vai para o lixo e os pais estão desperdiçando dinheiro. Inclusive quando a criança estiver preparada para esse tipo de informação, é super importante abordar a temática do consumo responsável.”, pontua.

Outro assunto que as vezes gera duvidas é sobre dar ou não mesadas para os filhos. A economista explica que esse ponto é algo muito particular, pois depende da capacidade financeira dos pais. Se puderem, é valido, mas quando a criança tiver mais autonomia sobre o dinheiro e também deve estar associado ao mérito. A criança precisa fazer por onde merecer aquela mesada. Além disso, lembra ela, os pais podem – e devem – incentivar as crianças a tirar parte de suas mesadas para investir em uma poupança. E mais: ajudar a criança a fazer o planejamento financeiro daquela mesada. No que ela vai gastar, quanto ela pode gastar por semana para não faltar dinheiro no mês, uma reservinha para imprevistos.

Não há duvidas sobre os benefícios que uma educação financeira pode proporcionar ao futuro do seu filho. Gláucia, inclusive, pontuou perfeitamente o assunto: “Uma criança que valoriza o dinheiro é uma criança que valoriza e cuida do que tem, é uma criança que consegue ter responsabilidade social, que tem consciência do que possui e sabe dividir.”.  E Juliana complementa: “Precisamos acabar com essa relação ruim que o brasileiro tem com o dinheiro. Educação financeira é divertida para todas as idades!”.

Depoimento de mães

A empresária Gláucia Lemos Pietrobon, de 29 anos, mãe de Levi, de 6 anos, conta que há três anos o filho faz, anualmente, um cofre de moedas, que são conquistadas de acordo com tarefas extras que ele faça, que abre no final no ano para comprar o que ele quiser. Ela e o marido não pagam por tarefas do dia a dia, já que não são mais que a obrigação de Levi. “Ele não recebe nenhum incentivo nem para obedecer, nem para comer determinado alimento, nem para arrumar o quarto etc. Suas obrigações não são remuneradas. Ele recebe suas gratificações ao ajudar em tarefas extras, como ajudar o pai a lavar o carro, ajudar o vovô a lavar o quintal, guardar os potes no armário, entre outros.”, exemplifica. Glaucia conta, também, que Levi se interessa por esse assunto pois, desde o primeiro ano que fizeram isso, ele sentiu como é bom juntar e ter dinheiro para comprar as coisas que pede o ano todo. Então, ele aprendeu a valorizar e economizar para o próprio benefício. Além disso, Gláucia notou uma mudança no comportamento de Levi: “A mudança principal, na minha opinião, é a abordagem no momento de pedir as coisas, quando vamos ao shopping, por exemplo. Há três anos ele não pede mais para comprarmos as coisas, ele faz planos para ele mesmo comprar ‘quando tiver dinheiro’.”, complementa.

Para a veterinária Táya Fiore, de 30 anos, mãe de Francisco, de 3 anos, os ensinamentos acontecem quando ele pede alguma coisa e ela fala para ele juntar as moedas dele e comprar depois. “Ele tem um cofrinho onde guarda as moedas de ouro, na linguagem pirata, e o ajudamos a juntar. De tempos em tempos, abrimos, contamos e passamos para um pote maior, abrindo espaço no cofrinho para mais tesouro, como ele chama. Além disso, quando trocamos o dinheiro dele por brinquedo, ele escolhe os brinquedos e nunca ultrapassamos o valor que ele tem. Então, ele tem que escolher o que realmente quer e que esteja dentro do que ele possa pagar.”, explica. Mesmo bem novinho, Taya conta que ela é bastante interessado no tema e que adora falar que um determinado brinquedo foi comprado com o dinheiro dele. “Fica supersatisfeito de juntar as moedas e quando digo pra ele usar o dinheiro dele para comprar um brinquedo que ele queira, ele fica animado com a ideia e afirma que irá fazer isso. Claro que ele nunca lembra o queria comprar e acaba escolhendo outra coisa.”, complementa. Além disso, Francisco já sabe também que dinheiro vem com trabalho da mamãe e do papai e que para conseguir ter alguma coisa, muitas vezes temos que abrir mão de outras. Taya conta, ainda, que para ela e o marido, neste momento, o mais importante é ele entender que brinquedos, jogos e presentes são comprados, custam dinheiro e, se não tiverem o dinheiro, não compram.

 

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Priscila Correia

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