Aventuras Maternas

Síndrome do Bebê Azul

De acordo com o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Incor), a malformação do coração afeta cerca de um milhão de bebês em todo o mundo. A doença é responsável por quase 40% dos óbitos em crianças com menos de um ano. No Brasil, a cardiopatia atinge um em cada 100 recém-nascidos.

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular apontam que, só no Rio de Janeiro, são 2,1 mil casos anuais. E engana-se quem pensa que as malformações no coração não possuem diversas vertentes. São mais de 40 tipos de cardiopatias diferentes, cada uma com sua especificidade. E, entre elas, está a Tetralogia de Fallot, conhecida como “Síndrome do Bebê Azul”, que possui um grau de complexidade moderado.

Segundo a médica Sandra Pereira, cardiointensivista pediátrica da Perinatal, cardiopatias como a Tetralogia de Fallot podem ser detectadas durante o pré-natal. Ela alerta que é fundamental o acompanhamento de um profissional, pois, muitas vezes, é necessária a intervenção cirúrgica logo quando o bebê nasce. “Cada caso deve ser avaliado individualmente. Mas tratando-se dessa malformação, especificamente, dependendo do grau de fluxo pulmonar, realizamos a operação cardíaca logo ao nascer. Caso não seja necessária uma intervenção paliativa, realizamos o procedimento corretivo, em torno dos seis meses de vida. Tudo depende do diagnóstico”, explica. Para a médica, é fundamental que a gestante realize o ecocardiograma fetal. “Assim, é possível definirmos o tipo de patologia para traçarmos um prognóstico e tratamento. É dessa forma que evitamos a morte súbita”, conclui.

Mas o que é, afinal, a Tetralogia de Fallot?

No caso de qualquer cardiopatia congênita, o acesso rápido ao tratamento adequado é decisivo na vida do bebê. E com a Tetralogia de Fallot não poderia ser diferente. Afetando igualmente meninos e meninas, a malformação envolve quatro (tetra) deformidades cardíacas que alteram o fluxo de sangue no coração: defeito no septo interventricular; deslocamento da aorta; hipertrofia do ventrículo direito; e estenose pulmonar, ou seja, é quando ocorre uma obstrução do fluxo de sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar. De acordo com Sandra, os pais devem ficar atentos se acharem os lábios e unhas do bebê um pouco mais roxinhos ou perceberem qualquer outra alteração. “Essa patologia consiste em uma mistura de sangue arterial com venoso, na aorta (que envia o sangue para o corpo), e menos sangue indo para os pulmões para serem oxigenados. Isso altera o funcionamento e reduz a quantidade de sangue com oxigênio que é bombeado, o que pode gerar uma cianose”, esclarece. E são os baixos níveis de oxigênio no sangue que geram a cianose e provocam mudança na cor da pele, lábios e unhas do bebê.

Além da pele azulada, os sintomas mais comuns são respiração rápida e ofegante, principalmente na hora da mamada; irritabilidade; cansaço constante; e dificuldade em ganhar peso. “Cardiopatias congênitas, algumas vezes, são associadas a anomalias ou outras malformações, mas em 85% dos casos vem isolada e é ao acaso. Estão mais pré-dispostas gestantes com diabetes, que tenham tido rubéola durante a gravidez e com histórico de desnutrição”, revela.

No Brasil, o Rio de Janeiro tornou- se referência quando o assunto é cardiopatia congênita. O procedimento da Tetralogia de Fallot, por exemplo, pode ser realizado na Perinatal, que possui um Centro de Cirurgia Cardíaca Neonatal que trata dessa e de outras malformações no coração, muitas vezes ainda mais complexas. “Nos centros americanos, a taxa de sobrevida varia de 87 a 99%. No nosso serviço, temos um índice muito bom em todas patologias, e essa está em torno de 98%”, comenda a médica, que comanda toda a equipe especializada. Ela conta que o procedimento já foi realizado em mais de três mil bebês, e que, esse ano, espera-se que sejam feitos muito mais atendimentos. “Fazemos cerca de 20 a 25 intervenções cirúrgicas por mês, e recebemos pacientes de todo o Brasil. Entre os nossos atendimentos, 80% operam no primeiro ano de vida e, destes, 46% são já no primeiro mês”, finaliza.

Informações: Assessoria de Imprensa

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Priscila Correia

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