Aventuras Maternas

Dicas de ouro para a volta às aulas

Imagem: Internet

Está chegando a hora dos pequenos voltarem à rotina escolar. Por isso, a psicopedagoga e orientadora educacional do colégio MOPI, Adriana Ferreira, selecionou dicas de ouro para maximizar esse momento que pode ser um tanto difícil para alguns alunos.

  1. Adaptação escolar dos mais velhos:

Não é tão comum que os mais velhos – já acostumados com aquele mesmo ambiente escolar, com a trajetória, que já estão há muito tempo na mesma escola –  tenham maiores dificuldades no primeiro dia de aula, de adaptação, mas pode acontecer. Principalmente, quando a criança apresenta maior ansiedade, dificuldade ou medo de aceitação da nova professora ou que teve um vínculo muito intenso com a professora do ano anterior. Acontece, às vezes com essas crianças mais velhas, por uma questão de comparação do ano ou dos relacionamentos. Como escola, é preciso entender essa insegurança, que não é nada anormal, e trazer pra ele e pra família essa segurança por meio de atividades, de acolhimento no primeiro dia, da observação se isso é um movimento constante, se ocorre todos os anos, se essa criança costuma ter esse tipo de comportamento. E montar essas estratégias de conquistas. Na escola, quando isso é percebido, é feito um trabalho de observação para que a criança se sinta à vontade. Ela pode procurar outros elementos da escola em que ela se sinta mais segurança. Por exemplo, um professor de inglês, de educação física, fazendo essa ponte para que ela consiga caminhar e seguir melhor. É claro que, se for percebido que isso persiste, é importante desenvolver uma estratégia de trabalho no fim do ano anterior ou, se for o caso, o encaminhamento terapêutico.

  1. Retorno, insegurança e nervosismo. Conselhos:

Quanto mais segurança a família transmitir à criança, mais seguros os filhos se sentirão. Se, nas férias, a família transmite insegurança de alguma forma, por exemplo, questiona se a nova professora irá gostar do filho, obviamente, é criada na criança uma expectativa e um temor para aquele próximo ano. Por outro lado, quando a família demonstra um movimento bacana em relação ao retorno às aulas, destacando, por exemplo, que a criança aprenderá novas coisas ao longo do ano, quando é trabalhado o nível de autonomia e maturidade daquele aluno, raramente aquela criança terá um problema de adaptação no novo ano. Salvo quando a criança já apresenta características como menor autoconfiança e temor de aceitação do outro. Geralmente, a aceitação é do adulto. Ou, claro, quando há uma mudança de escola, isso é mais comum que aconteça.

  1. Invenção de incômodos para adiar o retorno à escola. Recomendações:

É muito comum que a criança use esse subterfúgio não só para faltar, mas como recurso de atenção da família. A primeira questão, quando a criança começa a reincidir, quando a escola tem enfermagem, que, inclusive, o caso do MOPI, muitas vezes a profissional percebe e faz indicações para orientação educacional para esse aluno. A maior e melhor saída é a conversa. Primero, observar em quais momentos isso ocorre. Caso seja uma aula que a criança resiste mais ou uma aula em que ela presenta mais dificuldade. Caso seja uma relação com o próprio professor de uma determinada matéria, de um trabalho que ele precisa entregar e  está com medo. Logo, o primeiro passo é observar a criança para perceber em quais momentos ela apresenta mais esse comportamento. Detectado o motivo principal, o ideal é trabalhar aquela condição. Mas a família também tem um papel muito importante nesse momento: de deixar mais claro para o filho que ele tem outros meios de dizer e esclarecer o que ela está sentindo em vez de transfigurar isso para um processo de dor, por meio de dor de cabeça, dor de barriga, por exemplo. Abrir para esse filho essa percepção e levar para escola essa conversa, essa relação, essa transparência para que essa dificuldade possa ser trabalhada em conjunto para ser superada e, consequentemente, para que a criança possa seguir tranquilamente seu ano letivo.

  1. Crianças “fora ao padrão”, bullying e apoio escolar:

Tenho um pouco de dificuldade de entender a questão de “fugir do padrão”. Não gosto muito dessa expressão. Até porque o que é ter padrão, qual o padrão? Isso é trabalhado intensamente no Mopi. Mas quanto ao bullying, não necessariamente a criança que sofre com ele tem receio de entrar na escola nesse período. O bullying traz aos poucos outras características. E, dependendo da faixa etária, o termo bullying não é usado. Crianças até 8, 9 anos de idade estão em pleno processo de formação, de aprendizado de como lidar com o outro, com suas frustrações, a lidar com o que gosta e com o que não gosta. Não é determinado que elas estejam praticando nem sofrendo o bullying. A partir de outra idade, quando ele já tem conhecimento da dor do outro, da percepção do outro, já é possível falar de bullying. No bullying propriamente dito, não existe solução melhor que buscar ajuda. Ensinar aos alunos (e isso é feito muito fortemente no Mopi) que eles consigam dizer ao outro que está sendo magoado, que não gosta de determinado apelido é fundamental porque é a partir daí que a gente minimiza intensamente o bullying. Essa criança se sente empoderada em dizer pro outro e de procurar ajuda. O bullying tem o a questão do envolvimento das outras pessoas, de qual o imaginário do que o outro faz ou como deixa de agir em detrimento de ter medo também de sofrer o bullying. Assim, nessa faixa etária, em vez de trabalhar o bullying, é desenvolvido um trabalho para crianças que estão em aprendizagem para entender qual o sentimento do outro. E, a partir do momento em que isso é feito, nota-se que os problemas provenientes do bullying são muito menores. Os jovens mais velhos se sentem empoderados e buscam ajuda não só da família, mas dos outros agentes escolares, como professores, orientação e coordenação.

  1. Limites na dificuldade de adaptação:

No caso de uma escola em que a criança já estuda há muito tempo, quando chega a essa situação, é urgente fazer uma investigação mais profunda. Se ela nunca teve problema anterior, é urgente que agentes educacionais debrucem para entender os motivos pelos quais aquela criança naquele ano não está conseguindo se adaptar. E pedir ajuda terapêutica, profissional é fundamental, porque é outro elemento que não tem a visão da escola e que não é a visão da família. E que virá para efetivamente tratar e perceber qual a visão da criança. Até porque isso pode ter um aspecto ligado às questões psíquicas naquela criança. Isso é muito mais comum quando a criança transferida de escola.

  1. Falta de adaptação em relação aos colegas de classe, aos professores e demais membros do corpo docente:

Não existe uma resposta fechada. Cada caso é visto individualmente. Sobre essa nova adaptação, é possível falar da própria pressão familiar.  É muito comum, por exemplo, alunos que vêm de pré-escola, de uma forma mais lúdica de aprendizagem, e quando adentram no primeiro ano do ensino fundamental, em que há maior exigência no processo de alfabetização, sentem mais, porque, quando começam os conteúdos, o medo de não entrega para a família e aquela ansiedade de ler e escrever, algumas crianças retroagem a essa relação com a escola. Assim, todos esses pontos podem ter relação com a não adaptação da criança naquele ano: relação com professores, colegas, família, escola, classe, conteúdo e com processo de aprendizagem naquele ano. Mas o que é fundamental, muito mais do que é do outro, é quais características aquela criança não desenvolveu ou as que ela precisa desenvolver melhor e que as trava. Porque medo todos nós temos, até os adultos. De uma nova função, de um novo trabalho, mas o que não é possível é paralisar. Aquela criança que por ventura vem ao longo dos anos bem e por algum motivo ela paralisa e não se adapta ao novo ano letivo precisa ser trabalhada porque quantas outras novas situações de medo e insegurança ela sofrerá na vida? E é nesse momento que é importantíssimo essa relação escola e família, para que a gente consiga trabalhar cada vez mais essa criança e para que esse medo seja, na verdade, um processo de proteção e não de paralisação. E todo esse processo que a gente resgata na fase adulta se constitui nessa fase na infância. Então, ter medo faz bem. Abraçar a mãe, chorar não há nenhum problema. Mas o quanto o medo faz bem. Quando ele se demonstra encorajador,  ajuda integralmente aquele indivíduo que está aprendendo a passar por essa fase, conseguindo se desenvolver mais e a transformar o medo em vitória, esforço e superação.

  1. Informações complementares:

Crucial nesse processo de readaptação à escola e a esse novo ano letivo, sem dúvida nenhuma, é a união entre família e escola para que cada um não culpabilize o outro. Entender que, na verdade, quando se fala de um aluno é dar a mão e seguir com o exemplo. É dizer “estamos aqui com você, pode caminhar. Vai ser um pouco mais difícil nesse momento, mas estamos aqui”. É fazer esse processo de doação, deixar os ouvidos muito abertos e o coração ainda mais cheio de energia e dizer “você é capaz de seguir, de dar seus próximos passos.

Informações: Assessoria de Imprensa

 

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Priscila Correia

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