Aventuras Maternas

Você sabe onde encontrar água no deserto da sua vida?

pequeno príncipeSegunda-feira… Dia bom para deixar a agenda da semana repleta de atividades para seu pequeno, certo? Natação duas vezes por semana, balé ou capoeira mais duas vezes, curso de inglês e espanhol, aula de artes, 2 horas por dia de estudo para tirar aquele 10 na prova. Ufa! Ainda cabe mais! Sobrou tempo para a aula de futsal, judô ou ginástica rítmica e vôlei, além de mais 2 horas por semana na aula particular… Tudo para preparar nossas crianças para um futuro brilhante. Para que eles se destaquem no mercado de trabalho, tenham carreiras exemplares, um emprego dos sonhos e se tornem tudo aquilo que você sempre sonhou.

A única coisa que eles precisam abrir mão é da infância, de horas para brincar, para correrem livres na grama, de deixar a criatividade fluir, de compartilhar momentos felizes com os amigos… Nada demais, né?

Só tenho uma pergunta: você abriu mão disso na sua infância? Para realizar o tal sonho dourado você voltaria no tempo e deixaria de aproveitar dias ensolarados em liberdade para estudar mais e ter uma agenda lotada de atividades físicas e mentais? Vale mais ter um emprego dos sonhos e uma vida vazia de memórias felizes, ou ter uma vida marcada por lembranças do que é viver e talvez conquistar o mesmo emprego tão almejado, com a diferença de ter um sorriso nos lábios, ao pensar em tudo de bom que você viveu para chegar até ali?

Por mais que todos tenhamos tido infância, brincado de subir em árvores, nos escondido num bom pique com os amigos, descascado tangerina com as mãos e sujado toda a roupa, marcado até os cabelos com guache fazendo uma pintura divertida, corrido até cansar e ficar com o rosto sujo de poeira e suor depois de um dia animado… O fato é que muitos de nós realmente perde da memória a magia da infância quando cresce. Inibe o poder de imaginação. Não vê sentido em amigos imaginários, em tomar banho de chuva ou até em tirar uma soneca fora de hora. Queremos explicação técnica e especializada para tudo.

E é exatamente por tudo isso, que o Pequeno Príncipe, tanto o livro, quanto o filme que está no cinema, deveria se tornar leitura ou vídeo obrigatório para casais grávidos. Não há livro técnico sobre maternidade e paternidade mais abrangente e significativo para quem vai colocar uma criança no mundo. Afinal, antes de nos tornamos mães e pais é fundamental lembrarmos o que é ser criança e do quão simples é fazer uma criança se sentir plena e feliz. Não são brinquedos, opções de lazer mirabolantes, nem uma agenda cheia de projetos que tornam nossos filhos prontos para a vida, mas sim as experiências, a presença de um alguém que tem bons sentimentos para transmitir e importantes exemplos sobre o mundo para passar. Honestidade, respeito ao próximo, amizade, afeto, lealdade…

A singela história de amizade vivida por um aviador e um principezinho que mora no longínquo asteroide B612 e ama uma rosa tem o poder de ensinar o que poucos autores conseguiram em grandes ensaios sobre “o que é viver”. Na obra, ele mostra o que de fato importa na busca pela tão sonhada felicidade, destacando que nenhum poder, dinheiro, sucesso ou conquistas serão capazes disso. Porque o essencial não é apenas invisível, está em nossos corações. É o que sentimos em cada descoberta natural da nossa existência que nos marca como seres humanos e nos torna alegres diante de cada nova situação.

Seus ensinamentos tratam do que é realmente fundamental nessa vida efêmera que levamos. Contemplar as estrelas, cativar amigos, respeitar animais e plantas, amar ao próximo, olhar com o coração e sentir com a alma.

Por isso, para quem assiste a animação é impossível não verter lágrimas com o choque de realidade que o filme trás para uma sociedade consumista de informações, conhecimento científico e bens materiais. A garotinha, protagonista da história, possui tarefas obsessivamente calculadas por uma mãe ausente, com  uma rotina exaustiva de tarefas durante as férias de verão, para conseguir vaga numa escola de renome que promete futuro de sucesso. Sem tempo para dedicar-se ao ócio, aos amigos, ao contato com a natureza ou ao exercício de sua criatividade, a menina experimenta os dias sozinha e assim vai perdendo a essência da infância, até ser resgatada pelo vizinho excêntrico – um velhinho aviador que lhe conta a história do Pequeno Príncipe e com quem acaba por passar suas férias e com quem aprende que o Essencial vai muito além do material.

Para pais que buscam um Norte para educar seus filhos e conduzi-los a um caminho de sucesso, acredito que uma passagem da história é mais do que suficiente para trazer à tona como deve ser a bússola que nos guiará no caminho que percorremos na vida. “O que torna belo um deserto é saber que existe um poço em algum lugar dele”. Quer dizer, sempre existem motivos para sorrir dentro da gente, mas podemos escolher o caminho da seriedade e do militarismo diante de tudo, esquecendo simplesmente que nossos lábios podem emitir essa expressão da felicidade. No entanto, se os sorrisos forem a nossa escolha, nunca haverá deserto. Somos capazes de encontrar oásis em todas as situações e essa é a melhor e mais importante conquista da vida.

                                 

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Priscila Correia

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