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Novembro Roxo: no mês da prematuridade psicóloga aborda sobre a rotina e receios dos pais de UTI

Ter um bebê internado em uma UTI Neonatal é uma experiência difícil para a maioria dos pais. Planos foram feitos durante a gestação e, em virtude disso, são vivenciados sentimentos que precisam ser trabalhados. De acordo com a psicóloga da Perinatal, Helena Aguiar, a internação de um filho prematuro requer um luto dos planos imaginados, para seguir, é preciso se conectar com a nova realidade. Se desprender de tudo que sonharam, e podem não ter conseguido fazer, traz sofrimento e a rede de apoio, nesse momento, é crucial para que os pais entendam tudo que está acontecendo. “Ter o auxílio psicológico pode ajudar nesse processo de compreender verdadeiramente o que estão sentindo e vivendo”, comenta.

É importante lembrar que o período de internação é naturalmente complicado, também, por conta do puerpério, fase do pós-parto de muita ansiedade e mudanças hormonais na mãe. Para Helena Aguiar, é um momento delicado, que requer peciência. De acordo com a psicóloga, familiares e amigos dos pais podem não entender exatamente esse momento, não sabendo como podem ajudar. “Às vezes fazem perguntas e têm atitudes que acabam gerando mais estresse”. Questões como: “quando vai ter alta? O que deu errado? Você está amamentando exclusivamente? Será que nasceu antes pela sua idade?” são comuns e podem deixar os pais mais tristes ou culpados.

O ambiente da UTI e a rotina cansativa também estão presentes na vida dos pais que vivenciam esse período de ter seu bebê internado. Segundo Helena Aguiar, eles  irão conhecer seus filhos em um ambiente estranho, que pode ser encarado como assustador, dificultando o vínculo inicial entre eles. O apoio psicológico isso pode ser modificado. “A psicologia pode ajudar nesse processo, estando atento a qualidade do vínculo e incentivando formas eficazes de interação, como o colo, canguru, colostroterapia. Sempre respeitando o tempo dos pais”, explica.

O medo da morte também é outro ponto que aflige muitos pais, por mais que o bebê esteja sendo bem assistido e recebendo todo cuidado de que necessita. Por isso é muito importante que todos sejam assistidos nesse momento. “Conversar com um profissional é muito importante porque quanto melhor os pais estiverem psicologicamente, mais disponíveis eles estarão para interagir positivamente com seus filhos, lhe ajudando na sua recuperação”, aconselha Helena.

Pontos que a terapia de grupo pode ajudar

De acordo com Helena Aguiar, psicóloga da Perinatal, a rede dos pais, que se forma durante a internação dos seus filhos na UTI, é muito poderosa. Eles  vivem a mesma situação e se apóiam nesse período. Aproveitar esse momento, costuma ter efeitos muito positivos. Veja:

– Ajuda os pais a compartilharem experiências;

– Às vezes se sentem muito injustiçados, como se essa situação acontecesse só com eles. Na terapia constatam que não são os únicos que estão sofrendo e, com isso, ficam menos solitários em sua dor;

– Aprendem com as estratégias que outros pais podem ter utilizado e foi bom pra eles;

– Conseguem, com mais facilidade, acolher sentimentos ambivalentes.  quando “veem de fora” o que está acontecendo;

 – Escutar outra mãe falando, pode ajudar a dizer também o que sente. Assim muitos pais percebem que “tudo bem” se sentir triste. Geralmente, é mais fácil ser compreensiva com outra mãe, do que com si própria. “Costumo trabalhar com os pais a necessidade deles se tratarem com carinho, normalmente são muito duros e se cobram muito”;

– Os pais se ajudam a ter mais esperança e isso acaba influenciando ao outro. 

Rede da apoio na Perinatal com Projeto Embala

Idealizado pela Maria Emília Quaresma, pediatra neonatologista plantonista da Perinatal de Laranjeiras, o  projeto Embala é esse “colo” para os pais, um momento de pausa, um suspiro no cotidiano intenso da UTI Neonatal. “Esses encontros semanais de troca e acolhimento visam oferecer amparo e suporte para que eles se sintam aptos para cuidar dos bebês, e assim sejam um meio favorável ao desenvolvimento infantil desde o período hospitalar”, conta Maria Emília. A ideia é oferecer um espaço seguro de trocas de experiências entre as mães e pais da UTI Neonatal com a condução  de uma pediatra e de uma psicóloga.

Informações: Assessoria de Imprensa.

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Priscila Correia

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